segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Quem é ela???


Eliana Morato Marinho nasceu em Pitangui mas reside desde criança em Pará de Minas. Paralelamente ao seu trabalho como escritora, é funcionária da Superintendência de Ensino de Pará de Minas. Os poemas a seguir poderão ser vistos no livro que a escritora pretende lançar em breve.


Este trabalho foi realizado pelos alunos Lucas, Kelvy e Estéfane, da Escola Estadual Manoel Batista.

O grito da fome

Roí, corrói
Rompe, corrompe
Dói e atormenta
Dita, impera
Não espera
Busca e abriga
Mais que leis
Mais forte que rei
Ditadora fome
Não espera
Refeição do meio dia
Almoço certo
Uiva em estômagos
Que têm fome
Do saciar incerto
De qualquer jeito
De qualquer coisa.

O ipê

Em meio a serra
Queimada, enegrecida
Apesar de tudo
Apesar de todos
Surge nítido
Um sinal de vida
Dando boas vindas
À primavera
Mesmo de longe
Pode-se ver
Um solitário ipê
Sobrevivente das chamas
Cujos galhos são
Como mãos
Com bouquês a oferecer.

Antigas fotografias

São segundos
Parados no tempo
Pessoas
criaturas e coisas
que se transformam
com o tempo
ou que se vão como vento
mas que arranham como
garras embebidas em
veneno
Quanto mais fortes
no peito
quanto mais amareladas
pelo tempo
mais profundos seus
ferimentos.

O ser criança

Era bom acreditar
que do alto
da grande serra
tocaria as nuvens
Sentimentos e
pensamentos leves
tempo sem fim
onde as flores
eram mágicas
onde todo o mundo
era pertinho
e bandos de passarinhos
voavam rumo ao sol
laranja
nas tardes de minha
infância
Quando eu podia ser
Robson Crusoé
Perdida numa ilha
dos mares do
ser criança.

Uma face do inverno

Quando o amanhecer
se arrasta
alongando as madrugadas.
Quando o acaso se apressa
tecendo seus
mais rubros fios.
Sentimos o mórbido toque
dos frios tentáculos
do vento.
Viajante que chega
de distantes lugares
trazendo lendas
fazendo história
em seus líricos sons
em seus místicos caminhos.
Na vitrine noturna
esfumaçada
sob céu de cristais
e diamantes
corpos se retraem
corpos se atraem.
E diante do horizonte
embranquecido
nas primeiras horas do dia
um verde mais azul
um azul mais claro
trêmulas vozes
rígidos corpos
redescobrem o fogo
e cultuam o sol.

Renovação

E tudo se renovou
quando você chegou.
Tudo se iluminou
quando abriu os olhinhos.
O primeiro riso
foi como chuva na terra seca.
Renascemos com você
e surgiram tios e avós
o início da nova geração.
Sua inocência
nos fez voltados para a infância
sua chegada nos banhou de
fé e esperança.